O princípio das conversas decisivas

Grenny afirma que no cerne de quase todos os problemas crônicos estão conversas decisivas que você não está tendo ou está conduzindo mal: “falamos da maneira errada”

Para o especialista, isto acontece por motivos diversos, como pouca influência trabalho em equipe falho, produtividade medíocre, fracasso no casamento, desafios da diversidade, problemas de qualidade ou questões de segurança. “Sempre que estiver num beco sem saída, existe uma conversa decisiva mantendo você lá”, afirma. E tudo isso está diretamente relacionado à habilidade de liderar. É preciso fazer as seguintes perguntas:

1. Quais resultados você almeja, mas não está obtendo?

2. Qual é a conversa decisiva que você não está tendo, ou está conduzindo mal, perpetuando assim seu problema?

Grenny é enfático ao afirmar que conversas decisivas estão na origem de todos os problemas persistentes. E usa a citação de John Foster Dulles para ilustrar: “A medida do sucesso não é se você tem ou não um problema difícil para resolver, mas sim se o problema é o mesmo que você enfrentou no ano passado.” Para o palestrante, quando a emoção corre forte e as opiniões divergem, ocorre o conflito e há a necessidade de uma conversa decisiva. “O primeiro erro na conversa decisiva é sempre na primeira sentença. Em geral, abrimos a boca e falamos da maneira errada. Escolhemos sem pensar”.

Quando estamos frustrados, com freqüência não pensamos no problema em si. É preciso desmontar a questão para descobrir qual o real problema. Um dos problemas do principio da liderança é que conduzimos mal o problema. Normalmente as pessoas não falam sobre o que realmente incomoda. “Se você tem a mesma conversa duas vezes, então você está tendo a conversa errada”, afirmou. Como resolver isso então? Segundo o professor, há três princípios básicos, que são:

1. Manter a conversa certa.

2. Começar do seu coração.

3. Criar um ambiente seguro.

Conduzindo da maneira errada

Grenny salientou que há sinais negativos que podem ser observados quando não estamos conduzindo ou conduzimos mal uma conversa decisiva:

• Se, durante a conversa, você se sentir cada vez mais frustrado, talvez esteja tendo a conversa errada.

• Se você tiver a mesma conversa duas vezes, está tendo a conversa errada.

Ele alerta que se você ficar atolado num nível, deve passar para um nível mais profundo. “E quando puder dizer o que tem a dizer em uma sentença, você está pronto para conversar”. Grenny salienta que as causas podem apontar problemas de três ordens distintas que devem ser igualmente observadas:

1. Conteúdo – é o incômodo ou problema imediato, o que você precisa realmente resolver.

2. Padrão/Processo – uma série de preocupações ou uma preocupação com o modo como a questão está sendo discutida.

3. Relacionamento – uma preocupação mais intensa e profunda com confiança, competência ou respeito.

2 – O papel do coração

“Numa conversa decisiva, a primeira coisa que degenera são os nossos motivos”, afirmou o professor, reiterando que raras vezes percebemos isso acontecer. O professor destacou que entre os motivos que acabam com o diálogo estão salvar as aparências, sair-se bem, manter a paz, evitar conflito, vencer, ter razão e punir. É preciso, porém, ter cuidado com a mudança dos motivos, fazendo a seguinte pergunta:

Por que vale a pena parar e examinar seus motivos? “Porque você é controlado pelos motivos que não vê e porque você não é um ator tão bom assim”, destacou, explicando que se você conseguir ver o que está acontecendo, poderá fazer algo a respeito, porque as dúvidas exasperam o cérebro.

Para encontrar a solução, Grenny aconselha responder à pergunta: o que eu realmente quero para mim, para os outros e para a relação?

3 – A segurança do ambiente

Franqueza nunca é o problema, afirma Grenny. “As pessoas nunca ficam na defensiva em relação ao que você diz. Elas ficam na defensiva imaginando por que você está dizendo o que diz”. Ele acredita que quando nos sentimos seguros, podemos falar sobre qualquer assunto e defende que se as pessoas não se sentirem seguras, nada pode ser discutido. Temos duas funções nos primeiros trinta segundos de uma conversa decisiva:

Propósito Mútuo - a condição para começar - “Você sabe que eu me importo com suas metas, tanto quanto você.

Respeito Mútuo - a condição para continuar - “Você sabe que eu me importo com você.”

Para criar um ambiente seguro, Grenny aconselha deixar de lado o teor da conversa e tentar estabelecer propósito e respeito mútuos. “Se as pessoas não se sentirem seguras, nada pode ser discutido”. Ele acredita que ninguém consegue fugir de suas fraquezas. “Você tem de enfrentá-las em algum momento ou perecer”. Sendo assim, por que não agora, e aí mesmo onde você se encontra?”

FONTE HSM

AUTOR: Joseph Grenny