“Saber o que deve ser feito é inútil, a menos que você realmente o faça”, disse Sutton, dando o tom de sua palestra. Como exemplo, o palestrante recordou que, em meados da década de 1990, as grandes fabricantes norte-americanas de automóveis sabiam exatamente o que a Toyota fazia para produzir veículos baratos e de qualidade superior, mas não conseguiam diminuir a lacuna entre o saber e o fazer em suas operações. O problema se agravou a ponto de o Presidente Obama ter “demitido” o presidente de uma montadora na crise de 2008.
Outro exemplo: a rede McDonald’s nos Estados Unidos contratou uma grande empresa de consultoria em busca de retomar seu crescimento. No meio da apresentação do relatório dos consultores, uma pessoa do McDonald’s lembrou que as mesmas recomendações haviam sido feitas por outros especialistas dois anos antes, ou seja, a rede acabou pagando duas vezes por serviços praticamente idênticos – porque sabia, mas não fazia.
A fim de diminuir a lacuna entre o saber e o fazer, o palestrante recomenda que se tenha em mente três grandes lições que aprendeu:
1ª grande lição: a filosofia importa
Por filosofia, entenda-se as crenças gerais que orientam nossas ações numa variedade de situações. Ela deve ser simples e ser absorvida pela mente das pessoas. A.G. Lafley, que foi líder da Procter & Gamble por dez anos, afirmava que a empresa tinha de se concentrar em dois momentos da verdade: o que o cliente sente quando depara com os produtos da marca na loja e o que acontece quando ele usa os produtos. Tal filosofia permeou as decisões da empresa e teve impacto positivo sobre seu sucesso.
2ª grande lição: quem aprende fazendo não mostra discrepância entre o que você sabe e o que faz
Por esse motivo, na d-School de Stanford, onde Sutton é professor, a filosofia de educação é focada mais no fazer. Os alunos têm de escrever um plano de negócios e fundam uma empresa. “Mas é menos eficiente e mais arriscado do que adotar o estilo tradicional de ensinar o empreendedorismo”, comenta Sutton, que revela: “Em 2010, quatro de 11 equipes conseguiram financiamento de investidores para abrir seus negócios”.
Um dos grandes pontos de atratividade do Facebook para contratar engenheiros, que geralmente vêm do Google, é o fato de ser uma empresa onde todos os engenheiros podem entrar no código-base e brincar com ele, para aprender e melhorar. “O Facebook erra mais do que muitas organizações que vi e é consistente com a filosofia do fundador Mark Zuckerberg, que acredita que falhar faz parte do processo de aprender”, comentou o professor. Ele também lembrou que o óleo WD40 assim se chama porque as primeiras 39 tentativas fracassaram.
3ª grande lição: a melhor pergunta diagnóstica sobre se uma empresa é melhor em saber do que em fazer é “O que acontece quando as pessoas falham?”
Se o ambiente da organização é de medo, é muito mais difícil de as pessoas transformarem conhecimento em ação, porque elas se concentram em evitar aquele dedo que aponta para elas, culpando-as. No entanto, os erros devem ser lembrados, estudados, para que não se repitam.
Artigo do Professor Robert Sutton, da Universidade de Stanford
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